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terça-feira, 16 de maio de 2017

"Cúpula do Ministério da Agricultura em SC protegia empresas contra a fiscalização", diz delegado da Polícia Federal

Operação deflagrada nesta terça-feira apurou irregularidades na importação de pescados no Vale do Itajaí


Cinco servidores do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), sendo três deles de cargos de chefia, foram afastados do cargo nesta terça-feira após a Polícia Federal deflagrar a Operação Fugu, que apura irregularidades na importação de pescados da China e do Vietnã em Santa Catarina, especialmente na região do Vale do Itajaí.
— São três pessoas que ocupam cargos de chefia do Mapa desde 2008, mas temos relatos na investigação de supostos crimes de corrupção anteriores a essa data. É impossível precisar quantos pescados irregulares estão entrando em Santa Catarina, mas ficou constatado através de depoimentos e documentos que a cúpula do Mapa no Estado protege as empresas contra a fiscalização dos seus próprios servidores — explicou o delegado da Polícia Federal de Itajaí Maurício Todeschini.
De acordo com Todeschini, oito empresas do Vale do Itajaí são investigadas na operação. Cinco delas são frigoríficos que não são relacionados à área de pescados, mas a suspeita é de que através delas - por conta da menor fiscalização e da conivência de fiscais - os pescados entravam em Santa Catarina adulterados quimicamente.
— Acontecia uma inspeção especial nessas empresas e testes que deveriam ocorrer não eram feitos. Diversos depoimentos de servidores também relatam diversas atitudes destes três chefes do Mapa com os fiscais que tentavam fazer o trabalho correto: eram instaurados procedimentos disciplinares, eles eram humilhados em reuniões e removidos de locais que deveriam ser fiscalizados, colocando no lugar fiscais coniventes com as irregularidades — disse o delegado.
Produto químico aumentava o peso dos pescados importados
Segundo o coordenador geral de inspeção do Ministério da Agricultura, Alexandre Campos da Silva, os pescados trazidos da China e do Vietnã das espécies Panga, Merluza e Polaca do Alasca tinham duas irregularidades principais: o excesso de gelo e a imersão do pescado - ainda no país de origem - com água e sais como o tripolifosfato de sódio, um aditivo permitido em vários alimentos mas proibido no pescado congelado, pois permite que a carne absorva muita água.
O coordenador disse que o envolvimento dos servidores do Mapa está sendo investigado pela PF e que o ministério irá fornecer subsídios técnicos para a investigação das empresas envolvidas.
Ao todo, foram cumpridos 20 mandados de busca e apreensão, 12 de busca pessoal e outros cinco relacionados a suspensão cautelar do exercício das funções públicas. A ação aconteceu em Florianópolis, São José, Balneário Camboriú,  Itajaí,  Navegantes,  Blumenau  e Jaraguá do Sul. Em Blumenau houve a apreensão de documentos de um servidor.  




Diário Catarinense