sexta-feira, 16 de outubro de 2020

Processo contra Robinho mostra áudios do jogador admitindo relações com vítima

A sentença contra Robinho, condenado em primeira instância pela justiça italiana por estupro coletivo, apresenta áudios do jogador em que ele comenta o caso, que aconteceu em 2013. O documento foi divulgado pelo Globo Esporte. Além de Robinho, um amigo do atleta também foi condenado.

No documento, constam transcrições de áudios do jogador com pessoas que estavam na boate Sio Café no dia 22 de janeiro de 2013, onde o crime teria acontecido. Foram feitas interceptações telefônicas e gravações dentro do carro do jogador.

As transcrições foram decisivas para a condenação em primeira instância. A justiça considera que os diálogos são “auto acusatórios”.

No carro de Robinho, ele e Falco conversaram. Confira alguns trechos, revelados pelo Globo Esporte:

Falco:  “Ela se lembra da situação. Ela sabe que todos transaram com ela.”

Robinho: “O (NOME DE AMIGO 1) tenho certeza que gozou dentro dela.”

Falco: “Não acredito. Naquele dia ela não conseguia fazer nada, nem mesmo ficar em pé, ela estava realmente fora de si.”

Robinho: “Sim.”

Um músico que tocou na boate naquela noite, Jairo Chagas, alertou Robinho sobre a investigação. O jogador respondeu: “Estou rindo porque não estou nem aí, a mulher estava completamente bêbada, não sabe nem o que aconteceu.”

Em seguida, o jogador teria digo que não encostou na vítima, mas viu os amigos “em cima dela”. Meses depois, em conversa com o mesmo músico, Robinho admite que tentou transar com a vítima.

Jairo: “Eu te vi quando colocava o pênis dentro da boca dela.”

Robinho: “Isso não significa transar.”

Aos juízes, o músico disse que não viu cenas de sexo naquela noite.

Em novembro de 2017, o jogador e Ricardo Falco foram condenados a nove anos de prisão por violência sexual. A decisão é da primeira instância e a defesa de Robinho já apresentou o recurso, que deve ser julgado pela segunda instância em 10 de dezembro.

Em 2014, Robinho negou a acusação. Afirmou que manteve relação sexual com a vítima, que tem origem albanesa, mas disse que foi consensual e que não havia outros envolvidos. Já em relação a Falco, a perícia encontrou sêmen dele nas roupas da mulher.

Além de Robinho e Ricardo Falco, que também foi condenado em primeira instância, outros quatro brasileiros teriam participado do crime. No entanto, segundo o Globo Esporte, eles deixaram o país antes de o caso ter sido classificado como violência sexual e passam por um processo separado.


VERSÃO DA VÍTIMA

A vítima contou que já conhecia Robinho e foi ao Sio Café a convite de amigos do jogador, mas foi informada que só deveria ir a mesa onde eles estavam com a esposa de Robinho fosse embora.

Com duas amigas, elas se juntaram ao grupo de brasileiros, onde estava o jogador e também Ricardo Falco. Eles oferecem bebidas alcoólicas e só a vítima bebeu, pois uma das amigas estava grávida e a outra dirigindo.

As amigas dela foram embora e a mulher ficou. Ela descreve que dançou com os brasileiros e, depois de um tempo, se sentiu tonta e sem ar, por isso, foi para a área externa do local. Nesse momento, um dos brasileiros tentou beija-la. Em seguida, os dois foram para o camarim e ele continuou a tentar beijar a mulher.

Segundo a vítima, ela tem apenas alguns flashes daquela noite e relatou que não tinha condições de falar nem mesmo de ficar em pé. O que ela diz se lembrar que é ficou sozinha por alguns minutos no camarim e, depois, viu que o mesmo amigo e Robinho “se aproveitavam dela”.

“Acredito que no início estivesse fazendo sexo oral em [NOME DO AMIGO 3], e Robinho aproveitava de mim de outro modo, e depois eles trocaram de papel, dali não me recordo mais nada porque me encontrei rodeada pelos rapazes, não sabia o que acontecia”, disse a vítima no depoimento.

A juíza que presidiu o julgamento, Mariolina Panasiti, em contato com o Globo Esporte, disse que o caso é complexo, assim como costumam ser aqueles que dizem respeito a violência sexual. Ela descreveu o julgamento como um quebra-cabeça, em que as peças foram sendo montadas aos poucos.

A defesa de Robinho sustentará que o caso foi consensual.


O QUE DIZ O SANTOS

O Santos Futebol Clube ainda não se pronunciou desde a revelação dos áudios anexados ao processo.

Na última quarta-feira, 14, o presidente interino do clube, Orlando Rollo, defendeu a contratação de Robinho e disse que as críticas feitas ao jogador eram “apedrejamento moral”. Além disso, ele relatou que o processo estava sendo traduzido do italiano para o português. Sendo assim, a contratação foi feita antes que o clube tivesse lido o documento na íntegra.

A contratação do jogador foi confirmada no último sábado, 10, e gerou críticas por parte da torcida. Em nota oficial, o clube também defendeu o jogador e classificou o momento vivido como “era do cancelamento”.



Claudério Augusto via Yahoo