sábado, 18 de setembro de 2021

Ansiedade e depressão aumentam em crianças e adolescentes

 Pais devem estar atentos aos sinais apresentados pelos jovens e buscar ajuda profissional


Foto Unsplach


Uma em cada quatro crianças e adolescentes ouvidos em estudo da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) apresentou ansiedade e depressão durante a pandemia com níveis clínicos - ou seja, com necessidade de intervenção de especialistas. 

A pesquisa monitorou a saúde mental de sete mil crianças e adolescentes de todo o País desde junho do ano passado. Os dados trazidos pelo levantamento ganham ainda mais atenção neste Setembro Amarelo, mês de conscientização e prevenção ao suicídio.



Pandemia agravou o problema

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) realizou em setembro de 2020 uma enquete com mais de quatro mil adolescentes de todo o Brasil, entre 15 e 19 anos, sobre saúde mental na pandemia e acolhimento psicológico. 72% A pesquisa mostra que 72% dos jovens sentiram necessidade de pedir ajuda em relação ao bem-estar físico e mental durante a quarentena. Entretanto, 41% não procuraram ninguém, fator preocupante. 

A psiquiatra Elen Cristina Batista de Oliveira, notou na prática o resultado dessas pesquisas. “Percebi um aumento na procura por tratamento de quadros de ansiedade e depressão entre adolescentes. Também tenho observado um recente aumento de casos de fobia social e dificuldade de retorno à interação e exposição social”, destaca a médica, que atende pacientes a partir dos 14 anos.

Alguns fatores colaboraram para que os problemas de saúde mental durante a pandemia aumentassem entre os jovens. “O principal foi o isolamento, que provocou a perda de reforçadores e de experiências positivas com intensa e prolongada privação. Além do excesso de contatos e interações virtuais com aulas, aplicativos, jogos, mensagens virtuais com prolongado tempo de exposição a telas nunca antes experimentado pelas gerações anteriores”, salienta.

Atenção aos sinais

De acordo com Elen, os pais devem estar atentos aos sinais para poder perceber que o filho pode estar com algum problema emocional. “Aumento ainda maior do isolamento, mudanças de rotinas e de necessidades básicas, como apetite e sono. Ausência de prazer em experiências antes consideradas positivas, como por exemplo brincar, estar com amigos e familiares. Além de irritabilidade excessiva e prejuízo no desempenho escolar”, afirma. 

Ela destaca que a maioria dos pais pensa que é só uma fase e acabam assimilando a gravidade da situação quando o quadro está mais avançado. Por isso, a necessidade de ter atenção com as mudanças de comportamento.

Segundo a psiquiatra, é importante que os pais e demais adultos que convivem com as crianças e adolescentes fiquem atentos a algumas falas. “Frases de alerta são preocupantes quando ditas no contexto clínico que citei acima. Algumas delas são: ninguém gosta de mim, ninguém se importa comigo, eu não sirvo para nada, eu tenho vontade de sumir, se eu sumir ninguém vai sentir minha falta”, alerta a médica, destacando que é preciso procurar uma ajuda profissional ao se deparar com os sinais listados.



Correio do Povo