quarta-feira, 15 de setembro de 2021

Empresário morto em queda de avião já foi réu em processo criminal envolvendo trabalho escravo

FOTO: Gustavo Annunciato / Câmara de Piracicaba



O empresário Celso Silveira Mello Filho, morto na queda do avião com outras 6 vítimas em Piracicaba (SP) nesta terça-feira (14), era proprietário de uma fazenda na Bahia onde foram resgatados 28 trabalhadores em condições análogas à escravidão, em 2010.

Foto1: Grupo móvel registrou o estado das "estruturas" oferecidas nos vários alojamentos / Foto2: "Quarto" de um dos vaqueiros da fazenda ficava no curral, bem ao lado dos animais / Foto3: "Banheiro" do local se resumia a um cubículo mal conservado com um buraco no chão / Foto4: Água era retiirada de poços com recipientes que armazenavam óleo lubrificante. (Crédito das Imagens: Ministério do Trabalho e Emprego)



As precariedades foram constatadas, segundo apuração do Repórter Brasil, em uma operação realizada na Fazenda Tarumã, em Santa Maria das Barreiras (PA), que contou com membros do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Polícia Federal (PF). 

Na propriedade que, à época, pertencia à CSM Agropecuária S/A, foram encontrados 28 trabalhadores rurais vivendo em "construções precárias, sem acesso a estruturas básicas de sanitários, acesso à água e fiação elétrica, dividindo espaço até com cavalos e mulas". 

Os trabalhadores, ainda segundo a reportagem, eram submetidos a longas jornadas — das 5h da manhã às 18h, sem descansos regulares — e sufocados pelo endividamento com cobranças de "aluguel", de alimentação e até equipamentos de proteção e ferramentas de trabalho.

A CSM Agropecuária S/A, inclusive, é proprietária da aeronave modelo King Air B200, ano 2019. Com 7 pessoas a bordo, o avião caiu por volta de 8h45 desta terça (14), após decolar do Aeroporto Municipal Pedro Morganti, em Piracicaba. O destino da aeronave era o Pará, aonde Celso e família iriam a negócios.

De acordo com a Repórter Brasil, Celso Silveira Mello Filho já figurou como réu em processo criminal como responsável por casos passados de trabalho escravo, em flagrantes feitos nos anos de 1999 e 2000. Na época, o empresário foi acusado por causa de infrações em áreas da Vale Bonito Agropecuária S/A, que já fez parte da "lista suja" do trabalho escravo entre 2003 e 2005.

Celso era irmão de Rubens Ometto Silveira Mello, conhecido "barão" da Cosan – gigante sucroalcooleiro que também chegou a ser inserida na "lista suja", mas acabou retirada por meio de liminar judicial.



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Claudério Augusto via site Yahoo